sexta-feira, 11 de maio de 2007

Redução das emissões de carbono


Para debater mais sobre o assunto o Humanity & Environment conversou com Américo Kerr, professor e doutor em meteorologia pelo IAG-USP. Seu trabalho com pesquisas de poluição do ar com o CO2 e outros gases estufas gerados principalmente no uso de combustíveis fósseis são um dos principais componentes para o aumento do efeito estufa e sua interferência direta nas mudanças climáticas globais. Ressalta, que as pessoas pensam no efeito estufa como algo maléfico e na verdade, segundo ele, é uma coisa benéfica.

Humanity & Environment - O que é o efeito estufa?
Américo Kerr
- É a radiação solar que atravessa a atmosfera terrestre e vem bater na Terra aquecendo-a. A Terra aquecida ela irradia de novo, não é reflexão. Enquanto a luz do sol é uma luz visível, a luz que a Terra irradia não é visível, a radiação da Terra ela não é visível, ela é infravermelha. A atmosfera é bastante transparente a esta radiação que vem do sol porque é uma radiação na luz visível, agora ela é bastante opaca as radiações infravermelho, então a atmosfera absorve o infravermelho e se aquece. Se não existisse esse efeito de aquecimento provocado pela atmosfera a estimativa é que a superficie terrestre teria uma temperatura média em torno de 18 graus negativos e temos hoje termos de 14,5 positivos. O efeito estufa é estremamente importante para a vida.



H&E - Quais os problemas com o aumento desse efeito?
Kerr - O problema é que a evolução tecnológica proporcionada pelo homem ao longo dos séculos condicionou a utilização em larga escala de combustíveis fósseis como o petróleo, ocasionando o aumento do poluente CO2 na atmosfera, bem como, a evaporação do metano o principal componente do gás natural que se utiliza em veículos. Quando você queima um combustível sobre alta pressão, que é o que se faz em um veículo diesel, você elimina óxidos de nitrogênio. Estes óxidos de nitrogênio por ação da luz eles acabam produzindo ozônio, um grande absorvedor de energia que interfere no efeito estufa. Assim, quando se usa caminhão, carro ou ônibus você estará emitindo CO2 da queima do combsutível, elimina metano de combustão incompleta ou da evaporação do combustível no abastecimento, do uso. O lançamento dos óxidos de nitrogênio acabam produzindo o ôzonio por reação fotoquímica.

H&E - Quais desses gases é mais prejudicial ao meio ambiente?
Kerr - O metano absorve muito mais radiação que o CO2. É que a quantidade dele que vai para a atmosfera é menor, mas ele é muito mais problemático que o CO2. O CO2 é gás principal no sentido de que é o principal gás estufa emitido pelo homem. O pessoal converte o efeito dos outros gases em termos de CO2, então se faz a equivalência.

H&E - Qual a grande mudança climática que pode ocorrer?
Kerr -
A questão da água é a principal incerteza nas mudanças climáticas, tanto envolvendo chuva quanto vapor de água. Todo o processo de combustão ele termina em CO2 e água. As pessoas não prestam muita atenção, mas o principal gás estufa é o vapor de água. Quando você aquece mais, você produz mais vapor de água e a conseqüência disso é que provavelmente pode aumentar a temperatura, mas não necessariamente é isso o que acontece. Esse vapor de água vira nuvem e quando você forma nuvem, dependendo do tipo de nuvem se aquece ou esfria. Agora o que o homem tem colocado na atmosfera é CO2 e o metano, mas não é só isso, tem a decomposição do esgoto, a criação de gado, os animais quando ruminam, por exemplo, a vaca, o carneiro que liberam muito metano no processo.

H&E - Há outro gás que interfere no aumento do efeito estufa?
Kerr - Tem também o óxido de nitrogênio que é possível eliminar com a utilização de catalisadores. A produção desse óxido vem do nitrogênio que está no ar, que entra na atmosfera para queimar junto com os outros gases. Quando você usa catalisador você faz com que o óxido de nitrogênio volte a ser nitrogênio. Então isso evita a produção do ôzonio. Na combsutão há também a produção do monóxido de carbono quando você usa o catalisador você faz o monóxido de carbono tornar-se dióxido de carbono. CO não é um gás de estufa significativo, mas é muito danoso a saúde. E tem também o N2O (óxido nitroso) principalmente gerado pela agricultura e o CFC gerados por esses gases de ar condicionado (antigos).

H&E - E os biocombustíveis?
Kerr -
Não podemos ter ilusões em relação ao biocombustível porque você vai estragar na outra ponta. Para você ter o biocombustível você tem que ficar plantando. Você tem que ocupar as terras e está destruindo vegetação natural para fazer o plantio de soja e de cana. Claro que o pessoal do agronegócio acha que isso é solução. Primeiro que não tem área suficiente para sustentar o mundo todo, seria preciso mais de um Brasil para sustentar o uso do combustível do mundo todo. Então, o combustível renovável ele é interessante. Mas, se vamos manter o nível de consumo que temos hoje, não vai ser solução, ele vai arrebetar toda a terra que temos no País. O mundo já perdeu 1/5 das áreas agriculturáveis. A terra depois de exposta, ela vai se desgastando, ela perde a capacidade dela de produção. A solução do biocombustível não vai ser boa, ela não vai resolver o problema atual porque a dimensão dela é problemática.

H&E - E o crédito de carbono?
Kerr - Há um grupo grande de pessoas que não concordavam com a questão da venda de crédito por não saber se seria possível contabilizar e acompanhar os processos. Na questão do lixo pode-se usar o gás da decomposição como combustível. Se você recicla algumas matérias-primas você economiza uma quantidade de energia monumental, como no caso das latinhas de alumínio. A energia para você reutilizar a latinha muitas vezes é menor do que aquela para extrair originalmente do minério. Uma das possibilidades é fazer estes tipos de projetos em países de terceiro mundo. No momento que você negocia você vai saber o quanto você vai absorver da atmosfera o CO2 ou quanto vai deixar de emitir para a atmosfera. O controle sobre isso que eu acho que não é muito seguro. O ideal é você optar por tecnologias que resolvam o problema. Você tem que investir mais, trocar metodologias de trabalho, mas é um trabalho que compensa a longo prazo. A palavra é sustentabilidade. Procurar soluções que consomem menos energia. O caminho é racionalizar a vida, o outro caminho é o imediatismo . Ele a longo prazo vai custar muito caro para a sociedade, então essas questões da compra vem no caminho da dissimulação.

Colaboração: Vanessa Sulina

Um comentário:

Amanda Rodrigues disse...

A Cetesb divulgou ontem um relatório que pode servir de alerta para o comportamento dos paulistanos. A situação do Rio Tietê piorou, a Petrobrás despeja uma enorme quantidade de resíduos tóxicos no rio e, em alguns trechos, o nível de oxigênio chega a zero. Isso foi creditado, principalmente, à irregularidade das preciptações chuvosas, o que decorre, claramente, do aqucimento global.
O que eles sugerem: aumento do uso do transporte público ou bicicletas, o descarte do lixo em locais específicos e o desenvolvimento sustentável.
Para os que insistirem em circular de carro, eles pedem que seja verificado o catalisador do veículo — peça que diminui a quantidade de poluentes que saem do escapamento do seu veículo. Ela custa cerca de R$ 300,00. E aí, vai encarar???

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u135442.shtml

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