segunda-feira, 14 de maio de 2007

Mais do que uma questão ambiental

Idealizado pelo ex-candidato à presidente dos Estados Unidos Al Gore, que aparece em boa parte do longa-metragem, o documentário "Uma verdade inconveniente" foi dirigido por Davis Guggenheim, que, além de episódios para as séries televisas ER e 24 Horas, já havia feito o filme "Intrigas".

Uma Verdade Inconveniente mostra como e por quais motivos à emissão de substâncias poluentes e o mau uso dos recursos naturais tem impactado no aquecimento global e em demais problemas bastante atuais.

Trata-se de um filme bastante didático, que mostra por meio de gráficos, fotos e estudos o problema do aquecimento global. Há a claríssima intenção de alertar o público dos problemas pelos quais o planeta passa, mas pode-se notar uma dedicação maior para que mais especificamente o público americano preste atenção nisto.

O motivo o próprio filme diz: os Estados Unidos não assinaram o protocolo de Kyoto. Fazer com que a população saiba o porquê da importância do tratado e, conseqüentemente, fazê-la pressionar o governo americano é uma das intenções do filme.

Por isso, podemos pensar que indiretamente, mas ainda assim bastante explícita, é recolocar Al Gore no cenário político. Os 20 minutos finais são quase uma ovação ao político, faltando apenas o tradicional "vote em mim" dito pelos candidatos. Pode até ser que Al Gore não se candidate a nada nas próximas eleições americanas, mas o tom no qual o filme é finalizado deixa a forte impressão que isto não ocorrerá.

África e América do Sul estão fora das discussões

Por que a África e a América do Sul não tem significância neste filme? O aquecimento mundial, um problema global, é abordado sob várias formas e sempre citando o que aconteceria em vários pontos do planeta se a situação piorasse. Caso as calotas polares derretessem ou as correntes climáticas mudassem, por exemplo.

Em momento algum é mostrado o que ocorreria em algum ponto destes dois continentes? A única vez em que a América do Sul é citada é de passagem, quando Al Gore menciona a existência de um furacão que atingiu o Brasil em 2004. Índia, China, Europa, Japão, Estados Unidos, México... Todos estes países ou continentes são usados nos exemplos das possíveis conseqüências. América do Sul e África foram excluídos, como se não fizessem parte do planeta.


A questão da publicidade e o marketing

A mensagem catastrófica do aquecimento global está literalmente em toda parte. Ela doutrina nossas crianças nas escolas. Circula livremente nas mensagens publicitárias das empresas - criadas especialmente para mostrar a sua "responsabilidade social corporativa" e vender os seus produtos "ambientalmente responsáveis" (cuja pesquisa e desenvolvimento é provavelmente financiada por dinheiro proveniente dos impostos).

Somada a este substancial poder de fogo está uma mídia condescendente, que oferece capas e capas de revistas com fotos de gelo derretido, além da indústria cinematográfica e televisiva que não perde uma só oportunidade de fazer referência ao assunto. O próprio documentário de Al Gore esteve nos cinemas do país por meses e o ex vice-presidente é convidado para os talk-shows quase toda semana.

COLABORAÇÃO ESPECIAL: Vanessa Sulina

Um comentário:

Karen Villerva disse...

Será mesmo que é só auto-promocional o documentário de Al Gore? Tratar todos os esforços para divulgar as ações contra a destruição do ambiente e o aquecimento global como marketing é desacreditar totalmente que exista saída ou interesse em resolver a questão.

É preciso se despir de preconceitos para analisar a questão. Não estamos livres de empresas que se promovem divulgando 'ações' sociais, é certo, mas tb não podemos deixar de aceitar que são as iniciativas individuais que criam uma idéia coletiva que se divulga.

Menos críticas, menos problemas, mais soluções. Esse é o caminho