No último domingo, dia 20, o The New York Times publicou uma longa reportagem a respeito do ex-candidato à presidência dos EUA, abordando desde sua história política como membro do Congresso e como vice de Clinton, até os seus planos na questão do aquecimento global. A idéia é não deixar cair a bola levantada por "Uma verdade inconveniente" e tentar mobilizar milhões de pessoas no mundo todo a favor da redução da emissão de gás carbônico. Além da versão impressa do documentário, estão para sair nas livrarias versões para adolescentes e crianças, além de um outro livro que Gore está escrevendo sobre a opinião pública americana: The assault on reason.
Mas o mais importante é, sem dúvida, a rodada de concertos musicais prevista para julho, denominada Live Earth. O evento será promovido por Kevin Wall, famoso na área de concertos globais, e todo o dinheiro arrecadado deverá ir para a Alliance for Climate Protection (da qual Gore faz parte). Os shows deverão acontecer em todos os continentes - inclusive na Antártida! - e, para o concerto em New Jersey, EUA, estão previstos artistas e bandas como Police, Smashing Pumpkins, The Dave Mathews Band, Alicia Keys e outros... Para o que vai ocorrer em Londres, estarão presentes Madonna, The Black Eyed Peas, The Beastie Boys, Duran Duran, Red Hot Chilli Peppers, entre outros. A transmissão ao vivo será feita por rádio, TV e internet para mais de cem países.
A eficiência desse tipo de evento deve ser questionada, já que, apesar de atingir milhões de pessoas, não há a menor garantia de que o objetivo de conscientizá-las a respeito do aquecimento global será atingido. As chances de isso acontecer, aliás, são mínimas, diante da lista de bandas e cantores pop que desviam toda a atenção para si. Aliar informação com entretenimento de forma a criar uma opinião é tarefa complicada, e não deveria ser realizada por produtores de concertos de rock (como nesse caso), interessados apenas em obter um sucesso instantâneo. O risco disso é transformar o aquecimento global em um modismo, ao invés de uma preocupação, aliando-o a personalidades que podem usar o tema como mais uma forma de marketing. Se o objetivo da alinça de Gore é colocar o assunto na cabeça das pessoas, em especial dos americanos, no sentido de provocar uma reação política que transforme a realidade num prazo de dez anos, talvez a abordagem devesse ser outra, tão politizada quanto o objetivo que se quer atingir.
Link da reportagem:
http://www.nytimes.com/2007/05/20/magazine/20wwln-gore-t.htm
quarta-feira, 23 de maio de 2007
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